23.9.02

Por mais que a gente saiba que com o tempo se acostuma com a ausência de quem ama, a impossibilidade do re-encontro neste plano de vida, às vezes, é uma angústia. É segunda-feira cedo. Denise chega pra limpar a casa. O Alfie late e sua fala parece solitária. A campainha, a porta de trás abrindo... e onde está a criaturinha que a esta altura estava aflita pra entrar e receber um abraço? E colar em mim, prá cima e prá baixo, me seguindo até o banheiro, me assistindo escovar os dentes, esperando no tapetinho do banheiro até o banho acabar, até a água da vasilha ser trocada e então diante do armário acompanhar o meu vestir lento escolhendo a roupa segundo o tempo lá fora? Fazendo aquela carinha triste de "já percebi, ela vai sair"... e de quebra dando uma piscadinha voluntária prá me arrancar um "ahhh, que belezinha... não preciso nem pedir mais prá piscar, é? que linda!!!"...Pois ela não vem. E não virá mais. Meu dia, meu acordar perdem um pouco do seu brilho. Tento imaginar que de onde ela estiver ela me sente e sabe que a casa sem ela não é mais a mesma, e nem minha vida é igual. Bom Dia, Bran.