15.9.02

É um momento difícil...
O dia belo, com sol... Pássaros cantam e voam numa coreografia de a gente admirar. Aqui dentro no quarto, eu e ela. Num sono leve, ela se levanta e confirma a cada momento que estou por perto. Me olha como se quisesse dizer algo. Minha Bran sempre falou com os olhos, mas eles estão tão cansados que, emudecidos, pedem prá que eu adivinhe o que ela quer. É quase um choro que eu não quero entender, mas não posso ignorar. Meus olhos umidecem. Não quero que me veja triste. Meu amor se sobrepõe ao meu egoísmo de também querê-la por perto a qualquer preço; eu a agrado e digo que ela pode ir, se sentir que está na hora. É tão triste que minha garganta seca parece fechar-se. Queria dar-lhe o meu ar... Hoje eu queria ser Deus, queria fazer milagres só com o meu amor. Não queria ter que dizer adeus. Não queria ter que perder essa filha, essa amiga de tantas horas, que compartilhou mais de uma década de acertos e fracassos meus. Que me recebeu sempre sorrindo, que lambeu minhas lágrimas, que suportou meus gritos e soube sempre esperar o momento seguinte: do meu afago doce e da minha dedicação.